Homens héteros que fazem sexo com homens
Ja ouviram “I kissed a Girl” de Kate Perry? O hit pop se destacou sendo mais uma música lésbica e teve melhor aceitação do que a música de Jill Sobule em 1995 na MTV, com uma música de mesmo nome. Será que estamos aceitando melhor alguns conceitos? Se uma mulher heterossexual confessa que “brincou” com outra mulher – até a perdição total – a maioria das pessoas não se importaria. Ela estava bêbada. Ela experimentou. No máximo, ela foi bi-curiosa. Mas não é nada demais. Mulheres têm mais liberdade de explorar sua sexualidade com outras mulheres sem questionar sua orientação sexual. Em contrapartida, a sociedade não abre espaço para os homens fazerem o mesmo. Você consegue imaginar uma situação inversa? Não, não estou falando do Bon Jovi criando uma música “Eu fiz com um cara”. Vamos dizer que um amigo seu confesse: “Eu estava numa boite noite passada com o Digão. A música estava tocando, eu tomei umas a mais e o cabelo dele estava tão bonito, então nós saímos e eu bati uma pra ele no banheiro”. Para a maioria das pessoas, só há uma resposta: “Cara, você é gay”.

Talvez o cara seja gay, mas talvez não. De acordo com o CDC (Centro de controle de doenças norte-americano), mais de três milhões de homens que se entitulam heterossexuais secretamente praticam sexo com outros homens. Algumas razões de por que homens heterossexuais querem algo com outros homens incluem: ter uma experiência anônima, sexo sem compromisso, explorar sem desejo homoerótico uma identidade gay ou relacionamento, ou para cumprir uma fantasia, incluindo dominação ou submissão.

Quando um homem hétero faz sexo com outro homem, não quer dizer que o faz por atração, o faz pela atração ao sexo em si, de acordo com Joe Kort, terapeuta licenciado de Michigan, Eua. Quando perguntados sobre o que aproveitam, nunca é sobre o parceiro, mas sim, partes do corpo. O comportamento sexual no qual eles entram. A maioria dos clientes do terapeuta, em sua maioria brancos, são homens héteros com fazem sexo com outros homens. O terapeuta até criou um site sobre o assunto. Ele cita várias explicações para este comportamento. “Alguns foram abusados sexualmente e estão re-encenando compulsivamente seu trauma sexual na infância por agressores masculinos. Alguns fazem sexo com homens porque é mais fácil e requer poucas habilidades sociais do que aquelas que são necessárias para transar com mulheres. Alguns são “gays por dinheiro”. Alguns gostam da atenção que recebem de outros homens. Alguns gostam de sexo anal e têm vergonha de conversar sobre isso e fazê-lo com suas parceiras.”
Ele reconhece que alguns destes homens são bissexuais ou gays “fechados”, mas em sua experiência em tratamento de clientes após um extenso período, muitos deles não são. Ele acredita que quando se trata de sexo, identidade ou orientação, fantasias e comportamento nem sempre se alinham numa categoria. Mais frequentemente, são complexos e contraditórios.
Diferentemente de alguns psicólogos profissionais que queren patologizar estes homens, tratá-los de vício em sexo ou “curá-los” de sua homossexualidade, Kort se aborda seus clientes sem um prognóstico já definido. Ele também se livra de bagagens culturais que contribuem para o fenômeno: “Eles estão interessados em contato sexual com outros homens. Eles estão numa batalha psicológica. Alguns destes homens me dizem que somente querem conversar e serem abraçados por outros homens, mas estes homens com quem se encontram querem que seja sexual, então eles o fazem, mesmo não querendo realmente.”
























